Histórias de rede sem fio

Então.

Nesse nosso mundo de redes, as redes wireless se propagaram feito xuxu na cerca.

Vivendo numa rua onde existem várias empresas e sendo o alcance das redes um tanto quanto ‘amplo’, é inevitável que você reconheça a rede do seu vizinho ou ele reconheça a sua.

HISTÓRIA UM

Certa vez, no dia da implosão do Carandiru, um certo gordinho simpático saiu munido do notebook de sua esposa caminhando pela rua. O objetivo: descobrir o alcance da rede.

Até então, era a única na rua. Ou pelo menos nos arredores, pois ao fazer uma busca, nenhuma outra aparecia.

E la foi o gordinho simpático caminhando, de notebook na mão. Parava, testava… caminhava.

Obviamente isso despertou a curiosidade de outros moradores e em certo momento o gordinho simpático foi indagado sobre o que fazia.

– Sou engenheiro e estou testando o alcance da implosão do Carandiru, senhora.

Claro que a curiosa idosa ficou preocupada.

– Oh e o senhor acha que vai chegar até aqui?

– É bem provável, mas estou fazendo cálculos para evitar isso.

E claro, a rua toda soube que o gordinho simpático era engenheiro e podia mandar implodir o Carandiru daquele simpático notebook cor-de-rosa (mal sabia a esposa que ele levou o equipamento para a rua! Justo ela que sempre morreu de medo do aparelho ser roubado!).

Ah, sim, a esposa e sua melhor amiga estavam passeando em outro ponto da cidade naquele momento, totalmente alheias ao fato.

Conclusão: a rede da casa alcança até o começo da rua, na entrada da mesma, pois foi até lá que o sinal funcionou no notebook da esposa do gordinho simpático.

HISTÓRIA DOIS

Mudou-se para a casa vizinha uma empresa de contabilidade. A casa foi totalmente reformada, janelas trocadas, toda modernizada.

E obviamente, um tempo depois, a contabilidade passou a ter rede sem fio.

Então. O gordinho simpático (lembram dele?) começou a perceber que sua Internet por vezes ficava muito morosa. Configurou a rede como segura, limitando o acesso da mesma. Porém, por ser um gordinho simpático, deixou uma pequena ‘banda’ disponível. Afinal, coitados dos funcionários da casa vizinha… Eles usavam a rede do gordinho simpático vez ou outra e só para navegação (conforme ele já havia averiguado). Que mal fazia?

Não interferia na produção diretamente, já que o gordinho simpático trabalhava mais com programas de funcionamento local e nem tanto com a Internet.

Mas (toda história tem um “mas”), a prima do gordinho simpático trabalhava em casa também. E ela usava a Internet com muita frequência, não só para uso de buscas e pesquisas, mas também, para usar algumas ferramentas remotas conforme solicitação de alguns clientes. E nesses dias, a pequena banda destinada aos vizinhos (sabe como é, política da boa vizinhança) acabava atrapalhando um pouco (ou pelo menos é isso que a prima pensava, já que o entendimento dela sobre o assunto é muito básico).

Não importa o motivo, mas o gordinho simpático passou a ser bombardeado de reclamações sobre a lentidão da rede.

Até gordinhos simpáticos têm limite na sua paciência e simpatia. E a prima achava que ele não estava ciente do que ocorria, perguntava várias vezes sobre o que estava acontecendo.

Um dia, após monitorar o acesso dos vizinhos por um tempo, o gordinho simpático decidiu que era hora de conversar com os vizinhos.

Mas era preciso usar algum artifício, porque só chegar lá e simplesmente reclamar poderia soar chato. E o gordinho simpático não queria ser chato.

Pacientemente, o gordinho simpático acessou a rede do vizinho… E descobriu que a impressora estava na rede e compartilhada.

Fazendo a devida instalação dos drivers necessários, o gordinho simpático mandou imprimir uma série de documentos na impressora do vizinho.

Enquanto isso, ele imprimiu em sua casa um registro do acesso feito pelos vizinhos em sua rede.

Munido da listagem de acesso, lá foi ele com seu jeitinho peculiar tocar a campainha do vizinho.

Quem atendeu, por um acaso, foi o dono da empresa.

– Oi, eu sou seu vizinho. Eu mandei imprimir umas provas na sua impressora, será que o senhor poderia me entregar?

– O que? Na minha impressora? Mas isso não pode!

– É, mas a sua rede está aberta. Então eu achei que não se importaria. Aliás, gostaria de alertá-lo que seus funcionários estão fazendo download de pornografia usando a minha rede.

– Isso é impossível! – Disse o dono com sua impáfia. – Meus funcionários não fazem isso.

– Olha, lamento. Mas eles não só fazem, como estão fazendo neste minuto. Veja aqui. – E o gordinho mostra o papel impresso. – Esta máquina está neste site, e esta aqui também. Estão baixando filmes pornô usando a minha rede. Agora, o senhor pode por favor me entregar minhas provas?

O dono da empresa chamou uma secretária, que rapidamente providenciou a entrega dos documentos impressos. O gordinho entregou ao dono a listagem das máquinas que acessavam sua rede e foi para casa sorridente com as provas em mãos.

Curiosamente, a rede do vizinho sumiu. E sua rede não foi mais acessada.

A conclusão? Esta fica por conta de vocês.

FIM

AVISO:
Esta NÃO é uma história de ficção. Qualquer semelhança com pessoas que você conheça relacionadas a autora deste texto NÃO é mera coincidência. Nenhum notebook foi danificado na ação destas histórias. O Carandiru foi implodido, mas NÃO FOI o gordinho simpático quem apertou o botão. Embora a filha do gordinho simpático seja muito espoleta, ressaltamos que ela não era nascida por ocasião da primeira história e estava na escola por ocasião da segunda. Os diálogos foram inventados pela autora. Ambas as histórias foram contadas com a devida autorização do gordinho simpático.

Uma boa quarta-feira a todos.😀

2 Comentários

  1. Sil said,

    11 de novembro de 2010 às 11:51 am

    Amei a história.
    Chorei de rir imaginando o gordinho simpático com o notebook rosa andando pela rua.
    Beijo

  2. Amanda said,

    10 de maio de 2011 às 6:30 pm

    hahahhahahha adorei!😀


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