Uma História Corinthiana – André Kfouri

Enviado pra mim por e-mail. Mas a foi retirado DAQUI.

“O menino de 6 anos chegou em casa e perguntou:
 
 – Pai, para que time eu torço?
  
O pai imediatamente detectou o problema. Não ligava muito para futebol, nunca tinha conversado com o filho sobre o assunto. Percebeu que o menino tinha chegado a uma idade em que é obrigatório ser torcedor. Decidiu que se esforçaria para reparar o erro.
 
 Prometeu ao filho que o levaria a jogos de todos os clubes grandes de São Paulo, para que o garoto tivesse todas as oportunidades para escolher seu time do coração. Fez a devida lição de casa. Aprendeu os fatos, os nomes, os momentos e lugares importantes na História de cada clube.
  
A primeira visita foi ao Morumbi, numa tarde de jogo do São Paulo. Chegaram cedo, passaram no Memorial, viram os troféus da Copa Libertadores, da Copa Intercontinental.
 
 – Filho, o São Paulo é o mais bem sucedido clube brasileiro no cenário internacional. Ganhou a Libertadores 3 vezes, foi a Tóquio duas vezes para conquistar a Copa Intercontinental, também tem um Mundial de Clubes da Fifa. Além disso, foi o primeiro clube da cidade a ter o seu Centro de Treinamento. E claro, é o dono desse estádio, o Morumbi, o maior de São Paulo.
 
 O jogo foi ótimo, o São Paulo venceu, o menino ficou impressionado com o tamanho do Morumbi.
 
 – E aí, quer comprar uma camisa? – perguntou o pai. 
 
 – Ainda faltam três times, né? Prefiro esperar.
 
 A segunda visita foi ao Palestra Itália. Passearam pela sede do clube.
Viram os bustos de Ademir da Guia, de Junqueira, de Waldemar Fiúme. Também conheceram a sala de troféus. Sentaram-se nas numeradas do estádio do Palmeiras.
  
– Filho, esse time é diferente dos outros, por causa da conexão com a origem dos torcedores. O Palmeiras tem uma ligação sanguínea com a Itália, se chamava Palestra Itália. Claro, ninguém precisa ser italiano para torcer pelo Palmeiras, mas é bonito ver essa relação familiar com o time. Os palmeirenses são apaixonados por essa camisa. Grandes craques passaram por aqui ao longo dos tempos. Tanto que o time tem o apelido de “Academia”. – contou o pai.
 
 O Palmeiras ganhou, o menino vibrou. Gostou do ambiente no Palestra, da proximidade do gramado.
  
– Vamos comprar a camisa? – o pai perguntou.
 
 – Mas ainda faltam dois times…
 
 Próxima parada, Vila Belmiro. No carro, indo para Santos, o pai começou a falar sobre as glórias do time.
  
– Meu filho, esse time que você vai conhecer hoje é um patrimônio do futebol. É o time em que jogou o Pelé, o maior jogador da História. Teve o melhor time de todos os tempos, no começo da década de 60, quando não havia
adversário neste planeta que pudesse vencê-lo. Você vai ver a quantidade de taças que eles têm.
 
 Visitaram o Memorial das Conquistas e sua impressionante coleção de troféus. As fotos do timaço que conqusitou o mundo duas vezes, do Rei Pelé e de tantos e tantos jogadores lendários.
 
 O Santos ganhou o jogo, o menino ficou empolgado. Na Vila, dá para ficar ainda mais perto do campo.
 
 Na saída, a mesma pergunta.
 
 – Vamos comprar a camisa?
  
– Calma pai, ainda tem um jogo para a gente ir, não tem?
 
 E foram ao Pacaembu, num domingo à tarde. Não conseguiram sair cedo de casa, estavam um pouco atrasados. O pai foi falando sobre o Corinthians no carro.
 
 – Filho, estamos indo ao Pacaembu, mas o Pacaembu não é o estádio do Corinthians. É da prefeitura, porque o Corinthians não possui um estádio próprio. Mas a torcida se sente muito bem lá. Outra coisa: o Corinthians é o único time de São Paulo que ainda não ganhou a Copa Libertadores. Mas tem um detalhe interessante: é a maior torcida de São Paulo, e a segunda maior do Brasil. É uma torcida tão apaixonada que é chamada de “Fiel”.
 
 Por causa do atraso, pai e filho entraram no Pacaembu pelo portão principal, quase na hora em que o Corinthians subiu ao gramado. Sentaram-se nas numeradas, e logo tiveram de se levantar, porque o time foi para o campo.
 
 De repente, o pai percebeu algo assustador. Seu filho estava chorando.
 
 – O que aconteceu, meu filho?
 
 – Não sei, pai.
 
 – Por que você está chorando?
 
 – Não sei…
 
 – Quer ir embora?
  
– Não, quero ficar.
  
O jogo estava para começar quando o menino pegou o braço do pai.
  
– Pai, quero uma camisa.
  
– Como assim?
  
– Escolhi, pai.
 
 – Mas o jogo ainda nem começou…
  
– Não importa.
  ______
 
Homenagem do blog aos 100 anos de um sentimento.
Parabéns ao Corinthians e aos corintianos.

André Kfouri”

Obrigada André Kfouri pela homenagem. Eu não tinha a idade do menino, mas eu me senti exatamente como ele a primeira vez que pude ver o Timão ao vivo e a cores e lendo o texto senti toda aquela emoção voltando. Coisas que só Corinthianos vão entender.

1 Comentário

  1. Maria said,

    1 de novembro de 2011 às 4:19 pm

    Linda a historia,como tudo que envolve o Corinthians,é apaixonante,é interessante é único. Isso é Corinthians amor eterno e sem explicação.


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