A Educação (ou falta dela) no transporte público

Cada vez mais, fico contente com a mudança gradativa do comportamento dos usuários de transporte público, principalmente no metrô.
Em algumas estações do metrô, a regra de deixar a esquerda livre na escada para que os apressados e atrasados possam ir mais rápido funciona (pra minha surpresa!). Acredito que um dia, todas as estações terão essa dinâmica, mas por hora, algumas poucas têm usuários que são mais conscientes.
Os assentos para pessoas em condições especiais também estão sendo mais respeitados. Embora o anúncio diga: “Na ausência de pessoas nessas condições, o uso do assento é livre.”, não foram poucas vezes em que o trem estava relativamente cheio e a cadeirinha azul ali, vazia, aguardando alguma pessoa idosa, senhoras grávidas ou pessoas com crianças no colo.
Muito dez, pessoal! Continuemos assim para que outros possam aprender com esses exemplos.
Claro que, ainda falta alguma coisa, como a educação na hora de entrar e sair do trem em determinadas estações nos horários de pico. A saída, parece estouro de boiada. Sai todo mundo, empurrando quem está na frente, do lado, sem se importar. É ruim se o sujeito sai empurrando. Mas também é ruim o sujeito que já está acostumado ao dia a dia e fica ali, NO MEIO DA PORTA, atrapalhando o caminho dos que empurram. “Não fique nas portas, procure usar os corredores do trem”, diz o condutor. Mas quê?! Comodidade e lei do Gérson ainda são predominantes.
Outra coisa que reparei e me diverte é como as pessoas não estão acostumadas a um gesto gentil ou um sorriso. Não que eu saia sorrindo para todo mundo, mas depois de anos e anos de prática, já sei que não adianta “surtar” dentro do trem lotado. O negócio é tentar se “ajeitar” o melhor possível e esperar chegar minha vez de descer. Sempre vai ter empurra-empurra, uma mochila na sua cabeça ou nas suas costas, uma pessoa bruta que quase te derruba na hora de sair e aquele que xinga você porque você o empurrou, sendo que você foi empurrado pela massa que veio atrás. Tuuuuudo cotidiano. Mas ainda assim, é divertido.
Primeiro, por ser pequena, tenho a vantagem de conseguir me esgueirar por espaços estreitos (vulgo, espaço entre uma pessoa e outra). Mas não faço “furtivamente” não. Digo sempre um sonoro “Com licença por favor’ e peço passagem, às vezes forçando um pouco, claro, mas sempre sendo educada. Normalmente as pessoas atendem e dão espaço para passar. Após passar sempre tento me virar para pessoa e dizer “Obrigada”.
Às vezes, estou numa posição em que há uma ou duas pessoas antes de eu poder ficar “no fluxo” das pessoas que descerão na mesma estação que eu. E eu descobri a magia do sorriso e as palavras gentis, principalmente se for uma mulher (por incrivel que pareça). “Desculpe, a sra vai descer na proxima estação? Ah, não? Será que poderiamos tentar trocar de lugar, porque eu preciso descer?”, sempre com um ar bem jovial e bem humorado, um sorriso pequeno ajuda.
Cara, NÃO FALHOU UMA! Normalmente a pessoa sorri de volta, algumas que estão “ao redor”, também tentam viabilizar um minimo de espaço para que eu troque de lugar com a outra pessoa e pronto! Tirei a pessoa do lugar chato de estar no caminho dos outros (inclusive no meu) e me coloquei mais adequadamente pra sair. Todo mundo fica satisfeito e menos irritado pelo empurra-empurra.
Pra finalizar, a velhissima ensinada pelos pais da gente de ceder o lugar aos mais velhos, gestantes e pessoas com crianças. Eu fico indignada e isso, infelizmente, não posso fazer nada, quando há pessoas nessas condições e NINGUÉM se levanta. Ainda por cima a pessoa está sentada no banco reservado pra essas pessoas. Hello? O assento é livre quando NÃO TEM pessoas nessas condições. Mas chegou uma? Tira a bunda da cadeira e dê o lugar, poxa. Quantas vezes eu vi pessoas levantarem de locais “não reservados” para cederem para pessoas idosas ou grávidas, enquanto aquele moleque jovenzinho ou aquela menininha toda cocotinha sentada lá, no banco azul, finge que não vê…
Mas tem o lado bom. Cada vez mais vejo moços e homens levantando. Antigamente, o número de mulheres que cedia seu lugar era bem maior. Agora, me parece mais equilibrado. Não deixo de ficar contente quando vejo aquele adolescente levantar e ceder seu lugar para um idoso. Eles são o futuro do país e um gesto mínimo como esse já denota muita coisa.
O ônibus ja é um outro ambiente. Embora não menos tumultuado ou com os mesmos problemas. A diferença é que pela instabilidade da pista e do próprio jeito do motorista conduzir o veículo, estamos sujeitos a alguns desequilibrios. Então é mais dificil fazer troca de lugar para sair e coisas assim. Além disso, o ônibus tem porta de entrada e de saída. Então, se colocar perto da porta para sair, é mais fácil às vezes.
Nossa, chega. Ja falei demais e não são nem 6 horas da manhã!

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