Alban Eilir – Eqüinócio de Primavera

Este eqüinócio foi cheio de surpresas e viradas. Engraçado que, elas vieram inesperadamente, a princípio, não plantei as sementes que me trouxeram esses frutos. Ou pelo menos, é o que acredito. Bom. Lá vai um post beeeeeeeem longo.

Nos dias 19 e 20 deste mês, tive meu momento de “viver um sonho dentro da realidade”.
O ator Anthony Daniels, que interpreta o robô C3PO, esteve no Brasil e fez duas aparições para os fãs. Simplesmente formidável. A saga completa 30 anos, já que o primeiro filme, “Uma Nova Esperança” (A New Hope), estreou em 1977. E eu, tão pequena, estava no meu período de ver, “Os Trapalhões”, nem imaginava esse universo todo criado por George Lucas. Fui conhecê-lo apenas em 83, quando meu tio querido, meu padrinho, levou a mim e meu primo para assistirmos “O Retorno de Jedi”. Na verdade, ele queria que víssemos “O Império Contra-Ataca”, que estreara em 1980 e havia voltado pras telas por ocasião do RdJ. Mas, no cinema que fomos, onde o jornal marcava “O Império Contra-Ataca”, estava passando na verdade, “O Retorno de Jedi”.
Fiquei maravilhada, aluguei os demais em VHS. Assisti cerca de 10 vezes cada um, fiquei fascinada, apaixonada. E a paixão dura até hoje. Quem me conhece, sabe. Star Wars, Senhor dos Anéis e James Bond, são boa parte da minha vida!😉 A outra parte é ocupada pelos noruegueses do a-ha e os Beatles. Sobra uma parte pra outras séries de tv, bandas e afins. Ah claro, tem a parte da família, mas aí, já complica explicar tudo que existe neste coraçãozinho nerd, mas acima de tudo, FELIZ!
(Sou prolixa, né? AHHAHAHA, por isso adoro Tolkien)
Em 1989, quando o a-ha veio ao Brasil, uma moça chamada Patricia abordou o vocalista Morten Harket na praia de Copacabana, acho, dizendo a ele uma frase em norueguês (a única que ela havia decorado, óbvio). O fato foi que isso abriu um espaço para conversas e pelo seu inglês excelente e a falta de um intérprete para a banda, ela foi convidada a trabalhar como intérprete para eles. (agora imaginem-me nos meus 19 anos, hormônios adolescentes ainda fervilhando, apaixonada por essa banda, o quanto invejei essa moça…)
“Isso nunca acontece comigo!”, eu disse naquela época.
Hoje eu olho pra trás e diria pra mim mesma: “Espere mais uns anos, sua vez vai chegar.”
No dia 14, eu vi um e-mail do Comandante Norberto, do 501st, falando da vinda do Anthony Daniels para o Brasil. Foi um susto enorme e uma grande revolta. Essas coisas não são “planejadas” de repente e obviamente, o Norberto devia saber com certa antecedência disso e não divulgou aos demais fã-clubes da saga. Mas depois, veio a outra parte… “Caraca!!! O C3PO vem pro Brasil!!!”
Passei o final de semana meio em êxtase, por vezes, me perdia nos pensamentos e quando me perguntavam “onde eu estava”, eu sorria e dizia: “O C3PO vem pra cá semana que vem… Eu tenho que vê-lo!” E no final, nem era culpa do Norberto, é uma longa história, não cabe ser contada aqui, no final, todo mundo se uniu e a festa foi simplesmente espetacular. A propósito, visitem o site deles: http://www.501st.com.br/ e vejam só como funciona!
Onde eu estava? Ah sim… Como “membro da “reserva” da organização do CJSP”, eu costumo me oferecer pra ajudar quando posso, para os eventos que o fã-clube participa e organiza. Sabendo que o pessoal ia precisar de ajuda, prontamente me apresentei pra ajudar.
Desnecessário dizer que do dia 17 pra frente, não conseguia pensar em mais nada. Dormir e trabalhar se tornaram tarefas hercúleas, o celular não parava, combina isso, combina aquilo, fantasia tal pra tal pessoa, quem vai, quem fica, como vamos, vem gente de Brasília, vem gente do RS, vem gente do Rio… Puxa vida, quanta coisa pra ajudar a organizar.
Me deu um estalo: “E se eu conseguisse ser intérprete dele?”
Corri ligar para alguns contatos que poderiam ter o contato dos responsáveis. Um deles me disse que talvez fosse tarde demais, afinal, o cara já estava pra chegar. Tive que concordar e desisti da idéia… Também, havia mais coisa pra preocupar e preparar. “Quer saber? Melhor desfrutar como fã.” Mandei um e-mail informando aos meus fornecedores que estaria “fora do escritório” nos dias 19 e 20 (sou tradutora freelancer, trabalho em casa). Pros mais amigos, disse que ia correr atrás do C3PO. Esses riram e me desejaram sorte. Sabem como eu sou.🙂 Nesses momentos eu AMO ser freelancer.🙂
Dia 19, acordei cedinho. Sem despertador nem nada. Fiz meu último trabalho e entreguei e fui pra casa da Fabíola pra ajudar a organizar tudo. Pessoal chegando de Brasilia e do Rio. O Fabiano, de RS já estava lá. Mais telefonemas (aliás, MUITOS), organiza tudo, chega o pessoal, pedimos almoço, corre ver macacão pra um trooper que ligou dizendo que o dele estava consertando, Fabiola quase doida, estávamos em mais de 10 no apartamento dela… Mas é uma adrenalina sem fim e estava adorando, como sempre.
O maior problema era a fantasia do C3PO. Gustavo, um dos rapazes que veio de Brasília, usa a fantasia do robô. E ela é perfeita. Mas é grande pra transportar. Pedimos ajuda pro Seu Lobo, que levou duas ou três pessoas mais as fantasias TODAS e eu e mais o restante todo fomos de ônibus e metrô pra FNAC. Eu queria chegar lá às 17h, mas acabou falhando e chegamos umas 18 e pouco. Tudo bem, ainda dava tempo, não tinha ninguém da assessoria de alguma das empresas responsáveis pela vinda dele.
Levamos tudo pro lugar onde o pessoal ia se trocar, já havia uma pequena fila do lado de fora. O primeiro da fila havia chegado às 14h. Quando passamos por ele, ele nos disse que fora informado que somente 150 pessoas pegariam o autógrafo. Pânico e frio na barriga. Com certeza haveria bem mais que isso ali.
Pouco antes dele chegar ao local, a Fabiola veio correndo e foi responsável por um dos momentos mais maravilhosos daqueles dias. “Mary, acabaram de me ligar. Eles não têm intérprete. Eu indiquei você…”
Levei as mãos à cabeça, depois cobri a boca, surpresa e comecei a chorar. Murmurei um “não acredito” entre lágrimas. Nos abraçamos e choramos. E corremos pra contar pra todos os demais. Muitos abraços, mais lágrimas, votos de boa sorte e eu, nas nuvens. No final, havia conseguido… Lembrei-me da mocinha de 1989… É. Agora era a minha vez! Não seria o a-ha, mas sim, Anthony Daniels…
Estive então, ao lado dele naquela noite. Pareceu até meio irônico, pois seu personagem é um robô (Andróide de Protocolo) que fala mais de 6 milhões de idiomas e é intérprete em algumas cenas dos filmes. E lá estava eu, sendo intérprete dele. Brincadeiras à parte, virei “Droid de protocolo” do Droid de protocolo dourado mais charmoso de toda a galáxia.
Tudo isso, pra concluir que nesses dois dias, eu fui alguém que há muito tempo eu não via. EU MESMA. É engraçado como a depressão muda a gente e me fez mais medrosa. Mas eu não tive medo, assumi a responsabilidade no susto e me saí muito bem, pois fui convidada a continuar meus serviços, numa próxima oportunidade. Eu fui tão segura e capaz com tanta naturalidade que não me dei conta. Todos me elogiaram, mais abraços dos amigos, “Você estava perfeita!!!”, “Você se saiu muito bem, parabéns!”, “Demais, vc foi formidável!”, enfim, vários elogios e uma satisfação enorme.
Ao sairmos de lá, fomos comer algo e a adrenalina não baixava. Sentei ao computador e escrevi uma carta pra ele. Não haveria tempo para eu conversar com ele, decidi lhe escrever o que estava sentindo. Imprimi, assinei e guardei na bolsa para o dia seguinte, na outra livraria.
Acordei novamente cedo, sem o despertador, mesmo tendo ido deitar às 4 da manhã. Fiz várias coisas, fui pra Fabiola novamente e corremos pra ir pra outra livraria. Chegamos meio em cima da hora. Eu estava mais tranqüila, mais segura ainda, sabendo muito bem meu lugar, como me portar e como ajudar. Foi tão sossegado. Fiz como se já soubesse fazer há muito tempo… E desta vez, havia uma emissora de televisão e o repórter não falava inglês. Fiz minha parte novamente, achei que ia ficar nervosa, mas senti tudo fluindo com muita naturalidade. Todos que me viram trabalhar nesses dois dias, disseram que eu agi com muita naturalidade e isso deu um ar muito jovial ao meu trabalho. Não ficou algo sisudo e muito sério. Sinceramente, não haveria como! Minha alegria em estar ali era enorme e o sr. Daniels, muito simpático e brincalhão. Seria impossível!!!!
Existe o lado chato de trabalhar em coisas assim. Nem sempre, podemos ter tudo.
Não peguei um autógrafo dele. Eu estava ali profissionalmente e por mais fã que fosse, não caía bem. Não queria misturar as coisas. Pedi apenas para meus sobrinhos, que também são fãs (graças a mim, tenho que confessar!), entreguei minha carta e me contentei em ter estado ao lado dele.
No dia 20, de noite, havia ainda uma sessão de cinema na qual ele estaria. Eu pedi para falar rapidamente com ele e me despedir. “Muito gentil sua carta…”, ele me disse. Sorri para ele.
Isso significava que entre sair do Shopping Morumbi e estar no cinema, ele lera minha carta. QUE GENTIL!!!! Ele poderia lê-la depois, mas leu antes de nos vermos pela última vez. Agradeci mais uma vez e lhe desejei boa viagem. E o vi se afastar…
Voltei ao cinema pra assistir o filme, ainda pensando se tudo havia sido um sonho…
Mas não foi, pelo contrário, foi a realidade. Eu trabalhei ao lado de um ator que adoro e admiro muito. Foi uma oportunidade sensacional e daquelas que não vou esquecer nunca mais…
E com isso, abri uma portinha no mercado de interpretação. E espero que venham outros atores, não necessariamente que eu goste, eu quero mais é trabalhar.

A recompensa veio. No dia seguinte, antes de partir, sr. Daniels solicitou aos assessores o nome de todos os fãs que estiveram trabalhando ao lado dele. E meu nome, obviamente, foi incluído.

Olho a foto dele abraçando o Gustavo (presente do Gustavo pra mim, que eu pedi) e sorrio.
Não foi o a-ha (ainda gosto muito deles, aliás!)… Mas agora não posso dizer que essas coisas não acontecem comigo…😀

Mr. Daniels pedindo que acendessem as luzes ali na frente – Dia 20, Shop. Morumbi.

Noite de autógrafos do dia 19. O rapaz vestido de Jedi atrás do sr. Daniels é o Guima, amigão nosso! E na tv atrás de mim, estava passando “O Império Contra-ataca”, olha a Leia lá.🙂

Pra finalizar, uma pequena filmagem feita pela Susana, nessa mesma noite do dia 19, do momento em que o sr. Daniels autografava a camiseta de seu filho Kevin:

Claro que, o equinócio foi muito mais do que isso. Mas isso foi o que marcou. Eu percebi que posso conseguir o que quero se trabalhar muito bem, mas acima de tudo, voltar a ser eu mesma.
Melhor do que isso? Acho que não quero mais nada… De verdade.🙂

1 Comentário

  1. Anonymous said,

    28 de setembro de 2009 às 9:07 pm

    Querida Mary…Mais emocionada ainda…Chorei lindinha…e olha que já sabia parte da história!bjsMárcia, a que passou outro equinócio com vc! hehehehe!


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