O sangue que move o corpo….

Música do a-ha, aliás, pela qual sou apaixonada… The blood that moves de body é um hit entanto e o vídeo, mostrando os membros da banda no final de 89/começo de 90, nos auge dos seus 26/27 aninhos… Pedaços de mau caminho, com olhos azuis e verdes que enfeitiçavam qualquer uma naqueles tempos, caminhando pelas ruas inglesas, se não me engano, com suas jaquetas de couro e mãos displicentes nos bolsos. Oh, meus sais…. *rs*
Coisa saudosista não é mesmo? Mas era bom, oras. Eu vivi e adoro relembrar. Além disso, a banda não morreu mesmo, embora muitos até acreditem nisso. Mas isso é assunto pra outra hora.

Este final de semana acredito ter experimentado pela primeira vez em minha vida, a famosa sensação conhecida como “Barato”. Aquela coisa que causa algumas alucinações ou sensações diferentes quando ingerimos determinadas bebidas, alucinógenos ou qualquer coisa que cause no indivíduo a tal sensação.

Não, não enlouqueci, tampouco usei drogas. Se não o fiz na minha adolescência, não será agora, chegando aos 40 que vou experimentar “o lance”. Ah sim, claro, nenhum preconceito se alguém ainda usa. Por favor, “cada qual com suas preferanças”, como diz meu irmãozinho Nando.

Peguei um trabalho a ser executado no final de semana, com prazo para Domingo, final do dia.
Vamos deixar claro aos leigos no mercado freelancer de tradução que, “final do dia”, por vezes, significa: “Qualquer horário até o amanhecer do dia seguinte do prazo estipulado”. Neste caso, até as 4h da manhã da madrugada de Domingo para Segunda-feira.

Estava tudo dentro do planejado. Quantidade de palavras adequada com a minha produção, prazo perfeito. O que poderia dar errado?

Mas é claro que algo poderia dar errado, oras pipocas.
Já disse o “tio” Murphy. “Se algo tiver que dar errado, VAI dar errado.”

Decidi tentar “ajeitar” uma forma de apressar o trabalho, para acabar antes e descansar no final de semana.

Mania intrínseca brasileira, eu acho. Está aqui, dentro do nosso sangue talvez? De onde diabos veio essa “Lei de Gerson”, que neste caso, era em meu próprio benefício?

Tentei umas gambiarras com o programa gerenciador de memória, para ganhar quantidade de palavras e poder acelerar meu trabalho. Não parece perfeitinho? Acho que se eu tivesse refletido um pouco sobre isso, teria desconfiado que estava perfeito demais…

Lá fui eu, trabalhando arquivos para transformar em dados de memória e não me dei conta de que perdi praticamente a tarde inteira de Sábado fazendo a tal gambiarra. Quando dei por mim, eram mais de 18h e eu sequer havia iniciado a tradução. Como assim??? Perdi um dia todo de trabalho pra tentar ajeitar uma memória que por fim, se mostrou totalmente inadequada.

Mas sem pânico, certo? Era Sábado, eu poderia prolongar um pouco mais meu trabalho e acordar mais cedo no Domingo e recuperaria o tempo perdido. E estedi mais o meu horário de Sábado…

Domingo… 11 horas da manhã. O despertador não tocou!!!!!!!
Não precisa ser um Sherlock para ver que eu simplesmente esqueci de ligar do despertador. Com todas as tarefas matinais que tenho ultimamente (o ministério de Fauna e Flora da casa), lá se foi meio período. “Vamos lá! Senta a bunda nessa droga de cadeira, concentra nesse monitor e manda bala que o tempo está mais do que contra e rindo da sua casa, sua palhaça!”

Beleza. É grande, mas eu seguro, oras. Sempre segurei.
Mas… Um soninho, que neste caso, era pentelho, estava me incomodando.

Simples e básico: uma xícara de café e vamos em frente.

O sono persistiu. “Hm, a droga do café não deu certo…”
Fuçando a geladeira, encontrei meu velho amigo, Guaraná com açaí… (a Janine vai lembrar dele, ele me acompanhou tanto quando trabalhava em Alphaville). Geladinho…. Hm, porque não, né?
O café não fez efeito mesmo.

E lá foi a garrafinha de guaraná com açaí. E o sono também.
“Wow, não é que deu certo mesmo?”
Tolinha, como diria minha amiga Val. Deu certo. Despertei.

O que não deu certo, foi o surto que o programa de memória teve com o computador.
Eles decidiram que não iriam conversar e entraram em crise. Pelo menos umas 5 ou 6 vezes durante todo o período da tarde. Má notícia: cada vez que havia esse “crash”, o arquivo ficava corrompido e eu perdia o texto traduzido. Boa notícia: graças ao desgraçado filho da puta que estava causando esse pau todo, eu podia recuperar o texto traduzido e não perdia o trabalho todo feito até o momento da crise computadorizada.

As horas passando, eu quase não saia do lugar, a cada crash do programa, passar a memória pelo arquivo. A noite caiu…. Não, coitada, vamos melhorar isso. Ela encobriu o céu com seu manto estrelado (fica mais poético e eu não derrubo ninguém). E o meu desespero chegou perto do ápice quando bocejei novamente e eram apenas 18h. Mais café, oras!

Para tentar resumir, a brincadeira acabou às 4 da manhã. Mais precisamente, 4:15, quando entreguei meu arquivo. Não, não pude concluí-lo inteiro e antes que isso impactasse no prazo, eu e o fornecedor concordamos em dividir o que faltava da minha parte com mais outra tradutora (que sei lá eu o que estava fazendo na Internet lá pelas 2 da manhã e ficou empolgada com o trabalho… vai saber). Entreguei minha parte. Respirei aliviada. Recolhi a xícara do café, a embalagem do guaraná quase vazia e desci para dormir.

E aí começou o pesadelo.
Eu, que achei que as piores noites que eu tive em minha vida haviam sido as de insônia (no auge das crises de ansiedade) ou as noites seguintes à partida do meu pai (quando acordava assustada todas as noites, exatamente no horário em ligaram do hospital para avisar de seu falecimento), tive o que posso chamar de HORA DO PESADELO.

Em caixa alta mesmo. Podem chamar de exagero leonino, drama canceriano, não me importa o nome que vocês dêem, quem sentiu fui eu e não desejo isso para ninguém.

Primeiro, o corpo estava exausto, cansado, no seu limite. Mas a cabeça, não. Estava ativa, agitada, enveredando idéias atrás de idéias, traçando planos para a semana inteira e para projetos que estão parados há anos, coisas que devo fazer e não fiz, coisas que quero fazer e não me organizei para tanto. Justo eu, que por problemas de ansiedade, tenho que pensar num dia de cada vez, estava ali com milhares de coisas pulsando e vibrando. QUE INFERNO!!!!! Porque o cérebro não pode ser desligado da tomada? De vez enquando seria bom.

Quando vi que ia demorar, resolvi fazer as sombrancelhas. Coisa mais ridícula e descabida, eu com uma pinça, mais de 4:30 da madrugada, ajeitando minhas sombrancelhas. Queria que aquela coisa toda passasse, aquela taquicardia maldita cessasse e eu pudesse recostar minha cabeça no travesseiro para o sono dos justos.

O sono dos justos não veio. Olho o relógio, 5 da manhã. Deuses, logo a Tereza chega pra trabalhar e eu nem dormi! E tenho mais dois projetos engatilhados!

O que veio a seguir, foi uma seqüência de pesadelos horríveis. Não quero descrevê-los, mas me deixaram tão nervosa que, exausta, tentava não adormecer para que não continuassem. Mas eu adormecia e o sonhos continuavam implacáveis, exatamente de onde haviam parado. Gritava apavorada, desesperada, mas a voz não saía (sensação horrível). Num dos momentos em que acordei, pensei em pedir socorro no andar de cima, mas adormeci antes para mais uma sessão quase interminável de pesadelos.

Enfim, fiquei nesse “meio-que-dorme-e-sonha-e-acorda-e-dorme-de-novo-e-não-sei-se-estou-dormindo-ou-acordada” um bom tempo. Quanto? Não sei. Não ousei olhar o relógio temendo piorar minha aflição.

Hoje, 11:15. Acordei e respirei aliviada. Em algum momento daquilo, adormeci mesmo e sei que os sonhos se tornaram mais mansos, as coisas pareceram mais coerentes e mais lógicas.

Eu disse que ia resumir e escrevi mais um montão… Não tenho jeito mesmo…

Se isso é “ter barato”, meus amigos, “eu tô passando”. Nunca mais. E dessa vez, não rola aquela de “Nunca diga nunca”. ISSO, de novo, não.

O sangue que move o corpo, nos mantém vivos e podemos ter as sensações. Eu sempre agradeço por isso, pois é maravilhoso sentir. Mas fazia tempo que não passava pelo lado “doloroso” disso.
E quem nunca passou por isso, isso é um tipo de crise de ansiedade (o famoso “degrauzinho” que vem antes da síndrome do pânico).

Conclusão: Cafeína em excesso, com guaraná e açaí, para quem tem labirintite e simplesmente toma pouquíssimo café, somados com tensão, causam pesadelos, taquicardia e uma limpeza no subconsciente daquelas de arrancar coisas arraigadas, tão arraigadas que você acorda com dor no peito, pelas raízes retiradas.

De uma coisa, não posso reclamar: consegui organizar um bom planejamento para várias coisas, para os próximos meses.

1 Comentário

  1. Patthy said,

    28 de setembro de 2009 às 9:05 pm

    Mary, legal seu blog. Adorei mesmo, ah, a estampa ficou jóia. Só cuidado p/ não ter insônia por causa dele pq esse é o pior tipo q há. Bjinhos, Patthy


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