Salada de frutas…

A VIDA É MÁGICA…

Vejam vocês. Este é o bebê Padua Pessoa, ou seja, o bebê da Teca e do João.
Ele tem aprox. 0,5 cm e 6 semaninhas de vida (margem de erro de +/- meia semana).
Segundo o casal, o som do coraçãozinho ecoou pela sala, fazendo mamãe chorar emocionada e papai ficar embasbacado.

Claro que, a tia babona aqui chorou ao ler o e-mail e ver o ultrassom.

Na verdade, o parentesco é um tanto quanto confuso, pois como a Teca é minha irmã clone, então o bebê é meu sobrinho(a). Porém, o João é meu Vô. Então, isso faz do bebê meu neto(a). Ele é meu sobrinho(a) neto(a) e eu sua tia-avó. Xi, coitado(a).
Aliás, não vejo a hora de saber o sexo do anjinho. Não dá pra ficar me referindo a ele(a) o tempo todo assim. Se bem que, ainda não ouvi nada dos pais a respeito de quererem saber ou não este peculiar detalhe. Oh, céus! Se for assim, serão nove meses de tortura agonizante e a curiosidade devoradora poderá me levar à insanidade…

*[Momento drama off]*

Momentos assim me fazem dar graças por estar viva, pois posso sentir intensamente a alegria que uma notícia como esta me traz. Que os Deuses abençoem o bebê desde já e também os papais, iluminando-os com sabedoria, paciência e bom senso para lidarem com o pequenino e com o Pequeno. Não podemos esquecer do simpático cãozinho.🙂

… MAS TAMBÉM TEM AS COISAS CHATAS

Porque a Caixa Econômica Federal não consegue atender seus clientes em menos de 40 minutos de fila? Toda vez que tenho que ir até lá, já levo até livro e meus papéis de origami para me ocupar. Não importa a agência, o tempo é sempre este no mínimo. Mas foi a primeira vez que vi uma gerente ter que deixar sua mesa e ir ao caixa. A fila estava tão grande e era próximo do horário de almoço. Um furdúncio só, todo mundo resmungando e reclamando. Não há o que fazer. Certa vez, fiz uma reclamação via site. O gerente da agência me ligou todo preocupado, perguntando qual era minha reclamação. Eu expliquei o motivo, ele disse que realmente acha lamentável, mas que não pode fazer nada pois não dispõe de mais funcionários. Ou seja, não adianta nada. O gerente levou carcada dos superiores por algo que ninguém pode fazer nada a não ser o governo, abrindo concurso. Pândegas e palhaçadas no país do futebol, samba e cachaça…. Ah sim, já ia esquecendo das mulatas.

No jornal de Domingo, vi outra. Uma moça se chama JAMES. Foi registrada em sua certidão de nascimento como sendo do sexo masculino e agora, grávida, não consegue fazer pré-natal. Parece piada, não parece? Procurei mais informações e só não ponho o link pq é da área restrita da Folha de São Paulo, mas a coisa é mais grave do que se parece. Primeiro, o nome dela se lê james mesmo, não como se pronuncia em inglês. Depois, parece que ela foi registrada como sendo do sexo masculino porque o notário, na época “um velhinho de óculos”, ao ouvir o nome JAMES, deduziu que fosse um homem e assim marcou na certidão. Os pais de James? Sabem ler “mais ou menos”e só se deram conta do problema quando foram tirar a identidade de menina aos 15 anos dela. Dali pra frente, só problemas para James. Ganhou o apelido de James Bond dos colegas (A C007 Brasil não merecia esta…), não consegue se casar com o seu namorado (não é permitido casamento entre pessoas do mesmo sexo), não conseguirá registrar o bebê (não é lavrado o registro de um filho de pessoas do mesmo sexo) e por fim, ela não podia agender exames pré-natais, porque isso pode ser considerado fraude nos postos de saúde. Não podia porque, o jornal questionou a Secretaria de Saúde e agora, agenderam o pré-natal de James para o dia 05… Ah sim. A mãe dela deu este nome porque achou o som bonito. Se fosse menino, se chamaria “Sadoque”. James sonha em se chamar Natália e se tiver uma filha, quer chamá-la de Jennifer. Não conseguem alterar o nome, porque tem que ir no mesmo cartório onde a menina foi registrada, que mudou pra Ilhéus e as duas têm que estar ali durante todo o trâmite. A mãe de James ainda trabalha pra sustentar os outros 5 irmãos da moça e não pode ficar lá. Tentou um advogado, que queria cobrar R$ 700,00 (a senhora ganha R$ 600,00).

Ainda no tema das tristes realidades, outro dia, no aniversário de um amigo, estava conversando num pequeno grupo a respeito da ignorância de algumas pessoas. Ignorância mesmo, no sentido de desconhecimento, de não saber. Uma das moças trabalha como médica em um SUS (ou algo parecido). Ela relatou duas que, doem na alma e são duras. Na alma, porque são tão brasileiras quanto eu. Duras porque são fruto da triste realidade educacional, ou melhor, da falta de… (estão páreo a páreo com o caso da James)

1) Uma mulher e sua filha, chegam ao local e ao passarem com a ginecologista, a mãe pede que a médica receite para sua filha o “anticoncepcional das estrelas”. A médica olhou para elas com a mesma cara de ? que você deve estar agora. Após algumas perguntas, médica e pacientes não conseguiram chegar a um acordo. A mãe pega a filha pela mão e sai revoltada: “Vamos embora, filha, que essa médica é muito burra.”
Algumas horas mais tarde, conversando com outras colegas e algumas enfermeiras, a médica descobriu que o “anticoncepcional das estrelas” nada mais era do que um medicamento chamado YASMIN. E em alguma das novelas há uma personagem com este nome. (E a médica ficou com fama de burra… Desinformada talvez, mas burra, puxa vida…)

2) Uma senhora chega ao posto dizendo que precisava de uma documentação para o marido apresentar no trabalho. Quando questionada sobre a doença, a senhora prontamente respondeu “Ele tem ursa perfurada de diadema”.

*[pausa para sua cara de espanto, igual a da moça que atendeu a esta senhora]*

Controlando-se para não rir, a atendente solicitou os exames que a senhora tinha consigo. E então, descobriu que a ursa perfurada de diadema era na verdade uma úlcera perfurada no duodeno. (ok, pode rir, não tem como não rir. Mas é triste)

São casos verídicos. A gente dá risada, porque não imagina como as pessoas fazem este tipo de trocadilho ou coisas assim. Essa da ursa gera crise de risos toda vez que contamos. Como disse, no fundo, é triste. A pessoa fala o que entende, já que não talvez não saiba ler.

E falando em não saber ler. Como às vezes, as pessoas não estão preparadas para lidar com público. Na correria do banco lotado, o caixa atende um senhor, faz todo o processamento e lhe entrega um papel e já chama o próximo. O senhor olha o papel, afasta um pouco para que o próximo cliente venha mas fica olhando indignado para o rapaz. Assim que o cliente sai, ele vira pro rapaz num tom irritado: “Ô meu filho. Pra que serve este papel? Eu não sei ler, você me dá o papel e não me diz nada! Tenho que saber pra que serve isso!”

Toda a fila do banco (e naquele momento eram pelo menos umas 25 pessoas pra mais) olhou na direção do senhor e do caixa. Fiquei pensando quanto tempo o velhinho ficou na fila. Mesmo o caixa especial para idosos, deficientes e gestantes tinha uma fila grande. Se é alguém envergonhado de sua condição de analfabeto, estava bem bravo a ponto de admitir isso em alto e bom som num local público. Ou talvez tenha sido o desdém com que foi tratado, devido a pressa do rapaz. Obviamente, o rapaz do caixa mais do que depressa pegou o papel e explicou detalhadamente ao senhor o que estava ali e o que ele deveria saber. Isso não deveria ser um padrão de atendimento?

Respeito aos mais velhos… Como isso faz falta. Nisso eu agradeço muito pela minha metade sushi. Aprendi desde cedo o quanto temos que respeitar os mais velhos, não porque têm mais idade, mas porque sua idade avançada quer dizer experiência de vida. E depois, trilhando o caminho do paganismo, aprendi a reverenciar os meus ancestrais (coisa que também é da cultura japonesa, mas infelizmente, se perdeu em minha família). Foi para o túmulo com minha avó. Descobri tarde demais que seus rituais todos os dias de manhã, no meio-dia e às 18 eram rituais de reverenciamento aos ancestrais. Ela já estava acamada no hospital, em seus últimos dias. Não consegui saber diretamente dela. Minha mãe herdou seu oratório, onde há algo escrito em japonês e minha avó sempre colocava um pouco de arroz sem tempero (no almoço e no jantar) e café, logo de manhã. Minha mãe continuou fazendo o mesmo procedimento. Mas não sabe porquê e o fazia automaticamente. Tentei explicar a ela a importância daquele pequeno ato e a sacralidade daquilo. Ela ouviu, mas não “tocou” no fundo. Ela faz, porque minha avó fazia. Então, enquanto morei lá, dei um jeito do oratório ficar em meu quarto. De modo que, de manhã, minha mãe entrava para trocar o café. E eu, na hora do almoço e do jantar, me oferecia para levar o arroz. Não sei o que minha avó dizia, ou o que ela rezava. Primeiro, porque o fazia em japonês. E depois, porque como disse acima, não consegui saber dela o que deveria dizer. De coração, todos os dias, deixava ali o arroz e agradecia aos ancestrais pelo que somos (falava sempre em nome da família) e pedia proteção, bom senso e a coragem. Eles vieram para cá, sem saber falar português, largaram sua terra natal e viveram da agricultura. Minha mãe conta que eles eram muito pobres quando ela era nova, tanto que ela não pôde continuar seus estudos pra cuidar dos seus irmãos mais novos. Ela conseguiu concluir até a 8ª série há alguns bons anos atrás, através de um supletivo.

Sempre penso nisso. Na coragem de meus ancestrais em deixarem sua terra natal e virem pra cá sem saberem falar o idioma sequer, o quanto lutaram e venceram. Todos meus tios e tias vivem em boas condições, o que significa que a luta deles valeu muito. Mas não esqueço que nasci aqui e a esta terra devo também parte da minha existência e cultura. Como dizia a propaganda: “Os nossos japoneses são mais criativos do que os outros!”

E comecei o post falando sobre nascimento, protestei sobre as injustiças sociais e termino falando sobre ancestralidade. Que salada de frutas…😛

2 Comentários

  1. Kemeniel said,

    28 de setembro de 2009 às 9:09 pm

    Tinha esquecido de responder este.Obrigada pelo apoio. E o carinho.Quem sabe consigo terminar a história da Liliel?

  2. Dama do Lago said,

    28 de setembro de 2009 às 9:25 pm

    Lindo seu post sobre o bebê e sobre os ancestrais. E muito justa sua indignação sobre os absurdos que acontecem nessa nossa terrinha.Adorei que você recomeçou a escrever, sinto que ficamos mais próximas e a saudade diminui um pouquinho ^_^BeijoNen


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